Três Lagoas acende alerta contra queimadas, para o período de estiagem
Dados baseados em monitoramento do Inpe e Corpo de Bombeiros, mostram queda considerável nos focos, mas alerta continua
Embora as últimas semanas tenham registrado episódios isolados de chuva, o calendário ambiental de Três Lagoas já entrou em sinal amarelo.

Com a transição para o período de estiagem, que tradicionalmente se intensifica a partir do mês de maio, a Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Agronegócio (SEMEA), deu início oficial às ações de combate e prevenção às queimadas urbanas e rurais.
A estratégia antecipada tenta evitar que o cenário crítico de anos anteriores se repita. A combinação de baixa umidade relativa do ar e o acúmulo de vegetação seca, transforma terrenos baldios e áreas de pastagem em potenciais focos de incêndios criminosos.
Dados do Programa Queimadas do INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.
No balanço final de 2025, os números oficiais divulgados pelo INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), revelam uma vitória significativa para o meio ambiente em Mato Grosso do Sul, que registrou queda histórica de 72,7% nos focos de calor em comparação ao ano anterior.
Enquanto o bioma Pantanal teve uma redução drástica (passando de mais de 8 mil focos em 2024 para apenas 434 em 2025), o bioma Cerrado, onde Três Lagoas está inserida, também apresentou melhora, reduzindo de 3.823 para 1.164 focos.
Em Três Lagoas, os dados do 5º Grupamento de Bombeiros Militar confirmam essa tendência de queda e mostram que o padrão de queimadas na região que abrange o município, reflete uma mistura de fatores climáticos e, principalmente, ação humana.
As ocorrências de incêndio em vegetação no município caíram 57%. Durante o período crítico (junho a novembro), o número de atendimentos saltou de 304 casos em 2024 para apenas 129 ocorrências em 2025.
As autoridades atribuem essa redução a dois fatores principais: o volume de chuvas, que ficou acima da média em meses tradicionalmente secos, e o tempo de resposta mais ágil das equipes de fiscalização e combate. No total, o Corpo de Bombeiros em todo o estado realizou 4.435 atendimentos relacionados a incêndios, um número consideravelmente menor que os quase 5.500 do ciclo anterior.
Impactos na Saúde Pública
O impacto das queimadas vai além da visibilidade reduzida nas estradas. O setor de saúde de Três Lagoas já se prepara para o aumento sazonal de doenças respiratórias. A fuligem e os gases tóxicos são vilões silenciosos que sobrecarregam as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).
”Crianças e idosos são os primeiros a sentir. Casos de asma, bronquite e crises alérgicas disparam assim que a fumaça começa a cobrir o horizonte”, alerta Secretaria de Saúde Municipal.
Além do prejuízo à saúde, a Secretaria de Meio Ambiente de Três Lagoas reforça: atear fogo é crime. A legislação prevê multas pesadas e detenção. A prática de “limpeza de terreno” com fogo é proibida e os proprietários podem ser responsabilizados mesmo que o incêndio tenha sido iniciado por terceiros, caso o lote não esteja devidamente limpo e cercado.
Saiba a quem recorrer
Para que o combate seja eficiente, a população deve acionar o órgão correto de acordo com a situação:
- Corpo de Bombeiros (193): Emergência total. Deve ser acionado quando o fogo já está presente e oferece risco à vida ou patrimônio.
- SEMEA (Fiscalização): Atua na identificação de infratores e aplicação de multas. O foco é a preservação e o cumprimento da lei.
- Polícia Militar Ambiental (PMA): Apoio ostensivo para crimes ambientais em flagrante, tanto na cidade quanto no campo.
Serviço de Denúncia
Se você presenciar uma queimada ou identificar alguém ateando fogo em lixo ou vegetação, denuncie. O anonimato é garantido e a ação ajuda a proteger o ar que todos respiram.
- Telefone para Denúncias (SEMEA): (67) 99277-8539.
Deixe seu comentário