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Três Lagoas acende alerta contra queimadas, para o período de estiagem

Dados baseados em monitoramento do Inpe e Corpo de Bombeiros, mostram queda considerável nos focos, mas alerta continua

Eliane Freitas

​Embora as últimas semanas tenham registrado episódios isolados de chuva, o calendário ambiental de Três Lagoas já entrou em sinal amarelo.

As ocorrências de incêndio em vegetação em Três Lagoas caíram 57% e o desafio é manter os números em baixa. (Foto: divulgação Secom)

Com a transição para o período de estiagem, que tradicionalmente se intensifica a partir do mês de maio, a Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Agronegócio (SEMEA), deu início oficial às ações de combate e prevenção às queimadas urbanas e rurais.

​A estratégia antecipada tenta evitar que o cenário crítico de anos anteriores se repita. A combinação de baixa umidade relativa do ar e o acúmulo de vegetação seca, transforma terrenos baldios e áreas de pastagem em potenciais focos de incêndios criminosos.

​Dados do Programa Queimadas do INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.

​No balanço final de 2025, os números oficiais divulgados pelo INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), revelam uma vitória significativa para o meio ambiente em Mato Grosso do Sul, que registrou queda histórica de 72,7% nos focos de calor em comparação ao ano anterior.

Enquanto o bioma Pantanal teve uma redução drástica (passando de mais de 8 mil focos em 2024 para apenas 434 em 2025), o bioma Cerrado, onde Três Lagoas está inserida, também apresentou melhora, reduzindo de 3.823 para 1.164 focos.

​Em Três Lagoas, os dados do 5º Grupamento de Bombeiros Militar confirmam essa tendência de queda e mostram que o padrão de queimadas na região que abrange o município, reflete uma mistura de fatores climáticos e, principalmente, ação humana.

As ocorrências de incêndio em vegetação no município caíram 57%. Durante o período crítico (junho a novembro), o número de atendimentos saltou de 304 casos em 2024 para apenas 129 ocorrências em 2025.

​As autoridades atribuem essa redução a dois fatores principais: o volume de chuvas, que ficou acima da média em meses tradicionalmente secos, e o tempo de resposta mais ágil das equipes de fiscalização e combate. No total, o Corpo de Bombeiros em todo o estado realizou 4.435 atendimentos relacionados a incêndios, um número consideravelmente menor que os quase 5.500 do ciclo anterior.

Impactos na Saúde Pública

​O impacto das queimadas vai além da visibilidade reduzida nas estradas. O setor de saúde de Três Lagoas já se prepara para o aumento sazonal de doenças respiratórias. A fuligem e os gases tóxicos são vilões silenciosos que sobrecarregam as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).

​”Crianças e idosos são os primeiros a sentir. Casos de asma, bronquite e crises alérgicas disparam assim que a fumaça começa a cobrir o horizonte”, alerta Secretaria de Saúde Municipal.

​Além do prejuízo à saúde, a Secretaria de Meio Ambiente de Três Lagoas reforça: atear fogo é crime. A legislação prevê multas pesadas e detenção. A prática de “limpeza de terreno” com fogo é proibida e os proprietários podem ser responsabilizados mesmo que o incêndio tenha sido iniciado por terceiros, caso o lote não esteja devidamente limpo e cercado.

​Saiba a quem recorrer

​Para que o combate seja eficiente, a população deve acionar o órgão correto de acordo com a situação:

  • Corpo de Bombeiros (193): Emergência total. Deve ser acionado quando o fogo já está presente e oferece risco à vida ou patrimônio.
  • SEMEA (Fiscalização): Atua na identificação de infratores e aplicação de multas. O foco é a preservação e o cumprimento da lei.
  • Polícia Militar Ambiental (PMA): Apoio ostensivo para crimes ambientais em flagrante, tanto na cidade quanto no campo.

​Serviço de Denúncia

​Se você presenciar uma queimada ou identificar alguém ateando fogo em lixo ou vegetação, denuncie. O anonimato é garantido e a ação ajuda a proteger o ar que todos respiram.

  • Telefone para Denúncias (SEMEA): (67) 99277-8539.

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