CAMPO GRANDE

Jornalista denuncia agressões e é assassinada pelo ex-noivo horas depois

Vítima havia procurado a delegacia para pedir uma medida protetiva.

REDAÇÃO BOLSÃO AGORA

Vanessa Ricarte, de 42 anos foi morta pelo seu ex na noite desta quarta-feira, 12 em Campo Grande. (Reprodução)

Vítima havia procurado a delegacia para pedir uma medida protetiva.

A jornalista Vanessa Ricarte, de 42 anos, foi brutalmente assassinada na tarde de quarta-feira (12) em Campo Grande (MS). O crime ocorreu na entrada de sua residência, no bairro São Francisco, onde ela foi esfaqueada três vezes na região do tórax pelo ex-noivo, o músico Caio Nascimento Pereira, de 35 anos. Horas antes, a vítima havia procurado a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) para denunciar ameaças e agressões, conseguindo uma medida protetiva contra o agressor. No entanto, a providência não foi suficiente para evitar a tragédia.

Crime premeditado e antecedente de violência

Segundo relatos de testemunhas, Vanessa retornou ao imóvel acompanhada de um amigo para buscar seus pertences, quando foi surpreendida pelo ex-companheiro. Durante o ataque, um vizinho relatou ter ouvido gritos e, ao sair para verificar, viu o agressor esmurrando a porta da residência antes de investir contra a jornalista com a faca em mãos. “Quando tentei intervir, ele veio com a faca para cima de mim. Corri e chamei a polícia”, contou o aposentado, de 60 anos.

O Corpo de Bombeiros foi acionado e prestou os primeiros socorros à jornalista, que foi encaminhada à Santa Casa de Campo Grande, onde passou por cirurgia, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu no final da noite.

Histórico de agressões

Caio Nascimento Pereira possui um extenso histórico de violência contra mulheres. De acordo com registros do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), ele acumulava seis pedidos de medidas protetivas solicitadas por ex-companheiras. O agressor também responde a sete processos por ameaça, um por roubo e um por difamação.

Um dos casos mais graves ocorreu em 2020, quando uma ex-namorada foi brutalmente agredida e sofreu queimaduras no rosto e nos braços, com ferimentos compatíveis com fricção no asfalto. A vítima relatou à polícia que Caio era usuário de drogas e extremamente agressivo. Já em 2023, ele foi denunciado por violência psicológica ao perseguir e ameaçar outra ex-companheira que tentou romper o relacionamento.

Denúncia feita poucas horas antes

Poucas horas antes de ser assassinada, Vanessa registrou uma ocorrência na Deam e solicitou medida protetiva contra Caio. Segundo amigos da jornalista, um dos fatores que a motivou a fazer a denúncia foi uma publicação feita pelo ex-noivo em redes sociais, onde ele compartilhou um link para um site de conteúdo adulto relacionado à vítima. A postagem foi apagada em seguida, mas o fato aumentou o temor de Vanessa, que decidiu procurar ajuda policial.

Apesar da rapidez na concessão da medida protetiva, a falta de efetividade na sua aplicação escancarou um problema recorrente na violência contra mulheres: o tempo de resposta da justiça e das forças de segurança, que muitas vezes não impedem o feminicídio.

Feminicídio e impunidade

A morte de Vanessa Ricarte reforça a urgência de medidas mais eficazes na proteção de vítimas de violência doméstica. Em Mato Grosso do Sul, os índices de feminicídio continuam alarmantes, evidenciando a necessidade de políticas públicas mais rigorosas.

O assassino foi preso em flagrante e não resistiu à abordagem policial. Ele agora responderá pelo crime de feminicídio, com possibilidade de agravantes pelo histórico de violência contra outras mulheres.

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